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Bebidas Alcoólicas Aspectos Históricos


Registros arqueológicos revelam que os primeiros indícios sobre o consumo de álcool pelo ser humano datam de aproximadamente 6000 a.C., sendo, portanto, um costume extremamente antigo e que tem persistido por milhares de anos. A noção de álcool como uma substância divina, por exemplo, pode ser encontrada em inúmeros exemplos na mitologia, sendo talvez um dos fatores responsáveis pela manutenção do hábito de beber, ao longo do tempo.

Inicialmente, as bebidas tinham conteúdo alcoólico relativamente baixo, como, por exemplo, o vinho e a cerveja, já que dependiam exclusivamente do processo de fermentação. Com o advento do processo de destilação, introduzido na Europa pelos árabes na Idade Média, surgiram novos tipos de bebidas alcoólicas, que passaram a ser utilizadas em sua forma destilada. Nessa época, esse tipo de bebida passou a ser considerado um remédio para todas as doenças, pois “dissipavam as preocupações mais rapidamente que o vinho e a cerveja, além de produzirem um alívio mais eficiente da dor”, surgindo, então, a palavra uísque (do gálico usquebaugh, que significa “água da vida”).

A partir da Revolução Industrial, registrou-se grande aumento na oferta desse tipo de bebida, contribuindo para um maior consumo e, conseqüentemente, gerando aumento no número de pessoas que passaram a apresentar algum tipo de problema decorrente do uso excessivo de álcool.

Aspectos Gerais: Apesar do desconhecimento por parte da maioria das pessoas, o álcool também é considerado uma droga psicotrópica, pois atua no sistema nervoso central, provocando mudança no comportamento de quem o consome, além de ter potencial para desenvolver dependência.

O álcool é uma das poucas drogas psicotrópicas que tem seu consumo admitido e até incentivado pela sociedade. Esse é um dos motivos pelos quais ele é encarado de forma diferenciada, quando comparado com as demais drogas. Apesar de sua ampla aceitação social, o consumo de bebidas alcoólicas, quando excessivo, passa a ser um problema. Além dos inúmeros acidentes de trânsito e da violência associada a episódios de embriaguez, o consumo de álcool a longo prazo, dependendo da dose, freqüência e circunstâncias, pode provocar um quadro de dependência conhecido como alcoolismo. Dessa forma, o consumo inadequado do álcool é um importante problema de saúde pública, especialmente nas sociedades ocidentais, acarretando altos custos para a sociedade e envolvendo questões médicas, psicológicas, profissionais e familiares.



Efeitos agudos:


A ingestão de álcool provoca diversos efeitos, que aparecem em duas fases distintas: uma estimulante e outra depressora.

Nos primeiros momentos após a ingestão de álcool, podem aparecer os efeitos estimulantes, como euforia, desinibição e loquacidade (maior facilidade para falar). Com o passar do tempo, começam a surgir os efeitos depressores, como falta de coordenação motora, descontrole e sono. Quando o consumo é muito exagerado, o efeito depressor fica exacerbado, podendo até mesmo provocar o estado de coma.

Os efeitos do álcool variam de intensidade de acordo com as características pessoais. Por exemplo, uma pessoa acostumada a consumir bebidas alcoólicas sentirá os efeitos do álcool com menor intensidade, quando comparada com outra que não está acostumada a beber. Um outro exemplo está relacionado à estrutura física: a pessoa com estrutura física de grande porte terá maior resistência aos efeitos do álcool.

O consumo de bebidas alcoólicas também pode desencadear alguns efeitos desagradáveis, como enrubecimento da face, dor de cabeça e mal-estar geral. Esses efeitos são mais intensos para algumas pessoas cujo organismo tem dificuldade de metabolizar o álcool. Os orientais, em geral, têm maior probabilidade de sentir esses efeitos.

Álcool e Trânsito:


A ingestão de álcool, mesmo em pequenas quantidades, diminui a coordenação motora e os reflexos, comprometendo a capacidade de dirigir veículos ou operar outras máquinas. Pesquisas revelam que grande parte dos acidentes é provocada por motoristas que haviam bebido antes de dirigir. Nesse sentido, segundo a legislação brasileira (Código Nacional de Trânsito, que passou a vigorar em janeiro de 1998), deverá ser penalizado todo motorista que apresentar mais de 0,6g de álcool por litro de sangue. A quantidade de álcool necessária para atingir essa concentração no sangue é equivalente a beber cerca de 600ml de cerveja (duas latas de cerveja ou três copos de chope), 200ml de vinho (duas taças) ou 80ml de destilados (duas doses).

Alcoolismo: Como já citado neste texto, a pessoa que consome bebidas alcoólicas de forma excessiva, ao longo do tempo, pode desenvolver dependência, condição conhecida como

alcoolismo. Os fatores que podem levar ao alcoolismo são variados, envolvendo aspectos de origem biológica, psicológica e sociocultural. A dependência do álcool é condição freqüente, atingindo cerca de 10% da população adulta brasileira.
A transição do beber moderado ao beber problemático ocorre de forma lenta, tendo uma interface que, em geral, leva vários anos. Alguns sinais da dependência do álcool são: desenvolvimento da tolerância, ou seja, a necessidade de beber maiores quantidades de álcool para obter os mesmos efeitos; aumento da importância do álcool na vida da pessoa; percepção do “grande desejo” de beber e da falta de controle em relação a quando parar; síndrome de abstinência (aparecimento de sintomas desagradáveis após ter ficado algumas horas sem beber) e aumento da ingestão de álcool para aliviar essa síndrome.

A síndrome de abstinência do álcool é um quadro que aparece pela redução ou parada brusca da ingestão de bebidas alcoólicas, após um período de consumo crônico. A síndrome tem início 6 a 8 horas após a parada da ingestão de álcool, sendo caracterizada por tremor das mãos, acompanhado de distúrbios gastrintestinais, distúrbios do sono e estado de inquietação geral (abstinência leve). Cerca de 5% dos que entram em abstinência leve evoluem para a síndrome de abstinência grave ou delirium tremens que, além da acentuação dos sinais e sintomas anteriormente referidos, se caracteriza por tremores generalizados, agitação intensa e desorientação no tempo e no espaço.

Efeitos sobre outras partes do corpo: Os indivíduos dependentes do álcool podem desenvolver várias doenças. As mais freqüentes são as relacionadas ao fígado (esteatose hepática, hepatite alcoólica e cirrose). Também são freqüentes problemas do aparelho digestivo (gastrite, síndrome de má absorção e pancreatite) e do sistema cardiovascular (hipertensão e problemas cardíacos). Há, ainda, casos de polineurite alcoólica, caracterizada por dor, formigamento e cãibras nos membros inferiores.



Durante a Gravidez:


O consumo de bebidas alcoólicas durante a gestação pode trazer conseqüências para o recém-nascido, e, quanto maior o consumo, maior o risco de prejudicar o feto. Dessa forma, é recomendável que toda gestante evite o consumo de bebidas alcoólicas, não só ao longo da gestação, como também durante todo o período de amamentação, pois o álcool pode passar para o bebê através do leite materno.

Cerca de um terço dos bebês de mães dependentes do álcool, que fizeram uso excessivo dessa droga durante a gravidez, é afetado pela “síndrome fetal pelo álcool”. Os recém-nascidos apresentam sinais de irritação, mamam e dormem pouco, além de apresentarem tremores (sintomas que lembram a síndrome de abstinência). As crianças gravemente afetadas, e que conseguem sobreviver aos primeiros momentos de vida, podem apresentar problemas físicos e mentais que variam de intensidade de acordo com a gravidade do caso.

COMPLICAÇÕES CLÍNICAS DO ALCOOLISMO


Em geral, o usuário de álcool procura ajuda médica devido à problemas secundários ao consumo crônico desta substancia, cabendo ao clínico geral o primeiro contato com este paciente.

O álcool compromete vários órgãos e funções do organismo, dependendo da intensidade do consumo e da suscetibilidade individual, podendo causar alterações gastrointestinais, cardiovasculares, neurológicas e até mesmo, sangüíneas.

Manifestações clínicas Estão relacionadas às ações farmacológicas do álcool. Outros fatores de riscos associados: idade, sexo, raça, predisposição genética, estado nutricional, características imunológicas, condição clínica prévia.

Efeitos • Agudos: ou seja, imediatos à exposição ao álcool;

• Crônicos: relacionados ao consumo repetitivo e prolongado da droga.

2. EFEITOS AGUDOS DO CONSUMO DE ÁLCOOL ETÍLICO


Estão relacionados ao nível sangüíneo de álcool atingindo e ao grau de tolerância do consumidor.

• Níveis sangüíneos entre 50 e 100 mg/dl de álcool em bebedores não acostumados a grandes ingestas diárias provocam efeitos de euforia e incoordenação motora (com riscos de acidentes de transito).

• Níveis séricos entre 100 e 200 mg/dl podem causar fala embriagada, ataxia, tonturas e náuseas;

• Entre 200 e 300 mg/dl, letargia, discurso incoerente ou agressivo, vômitos;

• Entre 200 e 300 mg/dl, estupor ou coma;

• Níveis superiores a 500 mg/dl podem provocar depressão respiratória e morte.

3. EFEITOS CRÔNICOS DO CONSUMO DE ÁLCOOL ETÍLICO


As conseqüências crônicas dependem da dose consumida e do tempo de utilização. Outros fatores como sexo, predisposição genética, estado nutricional, doenças previas e uso concomitente de outras drogas também são importantes.

As principais complicações clínicas descritas são: 3.1 Sistema Digestivo (boca, faringe, esôfago, estomago, intestinos)

A alta dose de álcool, em geral, provoca anormalidade na parede do intestino, redução na capacidade de absorção intestinal de nutrientes e interferência no metabolismo celular das vitaminas do complexo B, acido fólico e ferro.

3.1.1 Esôfago

Modalidade anormal, dificuldade no esvaziamento do conteúdo alimentar para o estômago.

3.1.2 Estômago

Gastrite aguda, erosões superficiais da parede gástrica, hemorragias de pequeno e grande porte, vômitos freqüentes que podem levar à Síndrome de Mallory Weiss (lesão da parede gastroesofágica).

LEITURA AVANÇADA O álcool, normalmente, é facilmente absorvido pelo estomago e intestino delgado. A concentração do álcool no íleo (porção do intestino delgado) está relacionado ao refluxo e às anormalidades da permeabilidade da membrana intestinal provocada diretamente pelo álcool e seus metabolitos.Com isso, as atividades enzimáticas das membranas celulares bastante prejudicadas pela ação do álcool podem causar intolerância à lactose (carbohidrato presente em alimentos, como leite e derivados) absorção prejudicada de água, sais, aminoácidos e glicose. Tudo isso explica a diarréia e cólica abdominal associadas ao beber axagerado.

3.1.3 Fígado

As funções hepáticas estão, em geral alteradas. Ocorrem quadros de esteatose hepática, sinais clínicos de icterícia (pele amarelada devido a concentração aumentada de bilirrubinas) e mal-estar geral podendo ocorrer a hepatite alcoólica (icterícia, febre, leucocitose).

O quadro geral no fígado pode evoluir para o de cirrose hepática, - náuseas, perda de peso, sensação de fraqueza, mudança nos hábitos intestinais, dor abdominal superior ou febre baixa.

LEITURA AVANÇADA Mais raramente, o diagnostico de cirrose hepática pode ser auxiliada pelo surgimento de uma leve icterícia, sangramento, prurido ou edema e aumento do tamanho do baço.

Com a evolução do quadro acima, podemos ter uma insuficiência hepática caracterizada clinicamente por teleangectasia aracnóide (manchas vasculares na pele), eritema palmar (vermelhidão intensa nas palmas das mãos), atrofia testicular, ginecomastia (aumento do tamanho das mamas), perda da distribuiçõa dos pêlos masculinos, aumento do tamanho das glândulas parótidas, evidencia de circulação colateral, confusão mental e hemorragia digestiva pela presença de hipertensão portal (varizes no esôfago).

3.1.4 Pâncreas

A ingesta de bebida alcoólica é responsável por 75% dos casos de pancreatite crônica. A pancreatite crônica caracteriza-se por dor epigástrica severa irradiada para o meio das costas e aliviada ao sentar e inclinar o corpo para a frente, náuseas, vômitos, febre e “abdômen agudo” produzem um quadro de emergência cirúrgica.

LEITURA AVANÇADA O etanol influencia a função do pâncreas direta e indiretamente através do suco gástrico, da liberação de secretagogos e do controle neural. Existem evidencias de que o etanol lesa as células pancreáticas exócrinas da mesma forma como agride as células hepáticas.

Em pacientes com historia de uso crônico de álcool com dor abdominal intensa é conveniente a dosagem sangüínea e urinaria da amilase, bem como a realização de ultrassonografia abdominal e tomografia computadorizada do abdômen para sondagem diagnostica.

Episódios recorrentes de pancreatite podem resultar em calcificação pancreática e lesões do sistema de secreção exócrina pancreáticos.

3.2 Sistema Cárdio Vascular

O álcool tem efeito direto sobre o coração. A desnutrição freqüentemente associada ao alcoolismo crônico é autor fator importante no prejuízo do funcionamento cardiovascular.

LEITURA AVANÇADA Do ponto de vista nutricional, a falta de tiamina (vitamina B1) provoca o quadro chamado de Beribéri (raramente visto hoje em países ocidentais).

O etanol é um depressor direto da atividade miocárdica. Muitos episódios de arritmias cardíacas estão associados ao alcoolismo.

Além disso, estudos recentes têm associado o consumo pesado de álcool com a hipertensão arterial sistêmica, sendo o alcoolismo considerado o segundo fator de riscos não-genético para hipertensão arterial.

O consumo crônico de álcool também está associada à uma doença do coração conhecida como Miocardiopatia Alcoólica (Doença Muscular Induzida pelo Álcool que costuma-se manifestar entre os 30 e os 60 anos de idade, caracterizada, clinicamente, pelo aumento do volume do coração, arritmias e, nos estágios mais avançados, à insuficiência cardíaca congestiva).

3.3 Sistema Nervoso Central

3.3.1 Neuropatia periférica


Quando progressivo de dor e alterações na sensibilidade dos membros inferiores e superiores, bem como fraqueza motora. Muito se tem atribuído esta doença à falta de vitamina B1 (tiamina).

3.3.2 Ambliopia tóxica

Inflamação do nervo óptico, com falhas progressivas da visão central e dificuldades em distinguir cores, principalmente verde e vermelho.

3.3.3 Encefalopatia Wernicke

Associada à falta de tiamina, apresentando perturbação do equilíbrio, desorientação no tempo e no espaço confusão mental e paralisia de músculos oculares.

3.3.4 Síndrome de Korsakoff

Perda de memória, desorientação têmporo-espacial.

3.3.5 Degeneração Cerebral

Falta de habilidade no andar, movimentos oculares anormais, prejuízo nos reflexos tendinosos. Estas doença tem curso rápido e devastador.

3.3.6 Mielinólise Central Pontina

Caracteriza-se por dificuldade para deglutir, articular palavras e falar. Paralisia de músculos oculares, falta de reação corneana, prejuízo da marcha e morte. Pode ocorrer também a Doença de Marchiafava-Bignami, que apresenta agitação, confusão, alucinações, negativismo, julgamento prejudicado e desorietação. Pode haver distúrbios da marcha, incontinência urinaria e fecal, preservação do pensamento. Estas duas doenças são duas condições raras encontradas em alcoolistas crônicos e desnutridos.

3.3.7 Sindrome Demencial Alcoólica

Atrofia global do cérebro, grandes prejuízos da memória, da atenção, da orientação têmporo-espacial.
Quando muito semelhante clinicamente ao da Demência de Alzheimer.

3.4 Sistema Músculo-Esquéletico

Dor, sensibilidade muscular aumentada, fraqueza muscular, osteoporose precoce em alcoolistas crônicos, miopatia crônica é rara.

LEITURA AVANÇADA Alguns estudos apontam para uma doença muscular induzida pelo álcool, de incidência rara e que afeta os músculos d caixa torácica e os músculos proximais das extremidades. Caracteriza-se por dor, fraqueza, perda rápida da massa muscular e conseqüentes prejuízos gerais para os rins.

3.5 Sistema Hematopoiético (sangüíneo)

Interferência na produção de células sanguíneas em vários níveis, provocando anemias diversas e prejuízos da coagulação.

LEITURA AVANÇADA A anemia ferropriva é comum em alcoolistas e sua causa pode ocorrer tanto em função da desnutrição quanto dos sangramentos através das gastrites, varizes esofágicas ou hemorróidas, estes dois últimos em pacientes com cirrose hepática.
A anemia megaloblástica também é um quadro comum, especialmente pela deficiência de vitamina B12.

3.6 Pele

Os dependentes de álcool são propensos à várias doenças de pele, incluindo a psoríase (descamação crônica da pele), o eczema discóide (lesão pruriginosa da pele relacionada a agentes endógenos e exógenos) e infecções cutâneas superficiais por fungos.

3.7 Sistema Imunológico

O sistema imunológico é responsável pela defesa do organismo, dentre outras coisas, e poder ser suprimido nas pessoas que apresentam um consumo pesado de álcool. Desnutrição e danos ao tecido hepático contribuem para o prejuízo desse sistema, tal que os bebedores pesados têm maior propensão à infecções respiratórias como a Tuberculose Pulmonar.

3.8 Pediatria e Álcool

Em mulheres grávidas, sabe-se que o álcool atravessa a “barreira placentária” e pode provocar desde abortamentos espontâneos, natinortos e crianças com baixo peso ao nascer.

A Síndrome do Alcoolismo Fetal caracteriza-se por:

• Deficiência do crescimento pondero-estatural da criança;

• Dano ao sistema nervoso central, como microcefalia, retardo mental;
• Danos faciais, como lábio superior fino, fissuras palpebrais curtas, dobras epicantais,

• Alterações cardíacas (defeito septal atrial);

• Alterações outras nas articulações, nos genitais e na pele.

4. COMPLICAÇÕES PSQUIÁTRICAS DO ALCOOLISMO


Muitas alterações do comportamento e manifestações de quadros psiquiátricos estão relacionados ao consumo de álcool etílico.

4.1 Intoxicação Alcoólica

Euforia, diminuição da atenção, prejuízo do julgamento, irritabilidade, depressão, labilidade emocional até lentificação, sonolência, redução do nível da consciência e, eventualmente, coma.

Os sinais comuns da intoxicação alcoólica aguda são:

1. Fala arrastada;

2. Falta de coordenação motora;

3. Marcha instável;

4. Nistagmo (movimento anormal dos olhos);

5. Prejuízo na atenção ou memória;

6. estupor ou coma.

4.2 Abuso de Álcool

É caracterizado por um padrão mal adaptado de uso do álcool levando a um sério prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo. Deve manifestar um ou mais dos critérios abaixo em 12 meses.

Critérios da Associação Psiquiátrica Americana para Abuso de Álcool:

1. Uso recorrente do álcool resultando em fracasso em cumprir obrigações importantes relativas a seu papel no trabalho, na escola ou em casa.

2. Uso recorrente do álcool em situações nas quais há perigo físico, por exemplo, quando se dirige um automóvel;

3. Problemas legais relacionados ao uso do álcool;

4. Persistência no uso da substancia, apesar dos problemas sociais ou interpessoais recorrentes causados ou exacerbados pelos efeitos do álcool.

4.3 Síndrome de Dependência Alcoólica

Critérios da Associação Psiquiátrica Americana para Dependência ao álcool:

1. Tolerância (necessidade de doses cada vez maiores da droga para obter os mesmos efeitos das doses iniciais);

2. Síndrome de abstinência, relatada abaixo;

3. A substancia é freqüentemente usada em maiores quantidades ou por um período mais longo do que o desejado;

4. Existe um desejo persistente ou esforços mal-sucedidos no sentido de reduzir ou controlar o uso da substancia;

5. Muito tempo é gasto em atividades necessárias para a obtenção da substância, na utilização da mesma ou a recuperação dos seus efeitos;

6. Importantes atividades sociais, ocupacionais ou recreativos são abandonados em função do uso do álcool;

7. O uso da substancia continua, apesar da consciência de ter um problema físico ou psicológico persistente ou recorrente.

4.4 Intoxicação Alcoólica Idiossincrática (intoxicação patológica)

Indivíduo apresenta comportamento desadaptativo, freqüentemente agressivo atípico após ingestão de pequenas quantidades de álcool quando comparado às situações em que o indivíduo não bebeu, com amnésia freqüente.

4.5 Alucinose Alcoólica (Transtorno Psicótico relacionado ao uso de álcool)

• Alucinações vividas e persistentes (freqüentemente visuais e auditivas) sem alteração do nível de consciência, após a diminuição ou cessação do consumo de álcool, em pacientes dependentes desta substância.

• Forma crônica é semelhante à esquizofrenia ou quadro paranóide (caracterizado por crenças ou sensações de perseguição).

4.6 Síndrome de Abstinência Alcoólica

Caracterizada por:

• Tremores,

• Náusea,

• Vômitos,

• Hiperatividade autonômica (aumento da freqüência cardíaca, tremores, febre),

• Ansiedade,

• Humor depressivo,

• Irritabilidade,

• Alucinações transitórias,

• Ilusões,

• Convulsões que ocorrem após cessação ou redução do consumo crônico e pesado de álcool.

Sintomas iniciais Intermitentes e leves

Sintomas avançados Gravidade dos sintomas da Síndrome de Abstinência aumentam.

Quatro Sintomas Fundamentais na Síndrome de Abstinência do Álcool:

Tremor
Tremores matinais das mãos ao acordar. Os tremores também ocorrem no tronco, face ou no corpo todo.


Náusea
Ao escovar os dentes pela manhã ou que nunca toma uma xícara de café de manhã, em função da náusea.


Sudorese
Acordar bem cedo todo ensopado em suor.


Perturbação do humor
Nos estágios iniciais há uma irritabilidade ou nervosismo. Nos casos onde a dependência é mais grave, há um estado de intensa agitação e depressão.


A Síndrome de Abstinência Alcoólica pode evoluir para quadros conclusivos, alucinatórios e para o temido Delirium Tremens, que é uma Síndrome da Abstinência Alcoólica que se complicou com confusão mental, prejuízo da orientação temporo-espacial e prejuízo da atenção.



4.7 Delirium Tremens

Este quadro pode ocorrer após a interrupção ou redução abrupta do uso crônico e intenso do álcool, em pacientes clinicamente comprometidos. É quadro de emergência clinica, freqüentemente, necessitando de cuidados em Unidades de Terapia Intensiva.

Sintomas• Confusão mental;

• Acentuada Hiperatividade autonômica;

• Alucinações vividas (visuais, táteis, olfativas);

• Delírios;

• Tremor;

• Agitação;

• Febre;

• Convulsões.

4.8 Trastorno Amnésitico (Blackout)


São episódios transitórios de amnésia que acompanham variados graus de intoxicação ao álcool. Os ‘blackouts’ parecem ser mais comuns nos pacientes em fases mais tardias da dependência ao álcool.

Existe a amnésia retrógrada para eventos e comportamentos ocorridos durante os períodos de intoxicação, embora o nível da consciência do individuo intoxicado não esteja aparentemente anormal quando observado por terceiros. Tais episódios podem estar associados com o beber excessivo em pacientes dependentes ou não.

4.9 Transtorno Psicótico Delirante Induzido Pelo Álcool

Estes transtornos são caracterizados por pensamentos com conteúdo de idéias delirantes, principalmente de cunho persecutório, podem surgir em bebedores crônicos. Os pacientes desenvolvem delírios paranóides ou persecutórios, grandiosos, mas permanecem alerta e não manifestam confusão me ou meses de abstinência. Parece não estar relacionada com a esquizofrenia.

Podem aparecer nesse contexto sintomas:

• Semelhantes à esquizofrenia (alucinações, delírios, desorganização do pensamento, incoerência afetiva);

• Semelhantes à mania (elevação do humor, irritabilidade, grandiosidade, idéias delirantes de grandeza).

4.10 Transtorno Depressivo Induzido pelo Álcool

De uma forma geral, os sintomas depressivos são comuns em pacientes durante a abstinência alcoólica, especialmente em bebedores pesados.

Níveis de depressão significativas são comumente encontrados entre pacientes internados por síndrome de dependência ao álcool. Os sintomas de depressão costumam melhorar cerca de duas ou três semanas após a abstinência, mas há casos em que esses sintomas podem persistir por mais tempo.

Sintomas

• Humor deprimido;

• Perda de interesse ou prazer em quase todas as atividades da vida;

• Perda de energia, fadiga, importante cansaço após pequenas atividades;

• Baixa auto-estima;

• Idéias de culpa;

• Visão sombria ou pessimista em relação ao futuro;

• Perturbações do sono;

• Perturbações do apetite;

• Perda de interesse sexual;

• Queixas somáticas exacerbadas.

Você sabia? Em muitos casos a depressão é induzida pelo consumo da bebida alcoólica, mas freqüentemente pessoas com depressão estão mais propensas a desenvolver quadros de abuso do álcool.

4.11 Suicídio

Tentativas de suicídio são comuns em pacientes alcoolistas crônicos. Sintomas depressivos, perdas interpessoais, sociais, familiares e financeiras contribuem de forma determinante para o risco do auto-extermínio.

4.12 Ansiedade

Muitos pacientes ansiosos, especialmente aqueles com que a chamada Fobia Social ou Transtorno do Pânico com Agorafobia estão mais propensos a abusar de bebidas alcoólicas como uma forma de “auto-medicação”. Desta forma, é importante valorizar os sintomas de ansiedade do paciente alcoolista, com a finalidade de distinguir uma ansiedade induzida pelo consumo de álcool etílico de uma ansiedade primária.

Os pacientes com sintomas ansiosos podem apresentar:

• Tensão muscular,

• Tremores,

• Sensação de abalo,

• Fadiga,

• Resposta de sobressalto,

• Hiperatividade autonômica (rubor, taquicardia, palpitações, sudorese, diarréia, boca seca, aumento da freqüência urinaria),

• Alteração na sensibilidade de membros,

• Dificuldade de concentração,

• Sensação de “nó na garganta”,

• Hipervigilância.

4.13 Transtornos do Sono

Importante causa de transtorno extrínseco do sono, provocando tanto insônia quanto hipersônia. As principais alterações do sono em alcoolistas estão relacionadas aos quadros depressivos e ansiosos.

CONCLUSÃO


São varias as complicações clínicas e psiquiátricas associadas ao consumo agudo ou crônica de bebidas alcoólicas. Apesar dos inúmeros riscos advindos da ingestão destas substancias, é alarmante a freqüência e a intensidade do consumo das mesmas por todos os povos em todo o mundo, muitas vezes com propósitos sociais, religiosos, culturais e até mesmo medicinais.

Fonte: DENARC - http://www.dinarc.pr.gov.br

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Estudo vê queda de partos prematuros após leis antifumo




A teoria de que a proibição de fumar em locais públicos diminuiria o número de crianças nascidas prematuramente foi fortalecida por uma nova pesquisa.
Um estudo de 600 mil partos descobriu três quedas sucessivas no número de bebês nascidos com menos de 37 semanas - cada uma das reduções ocorrendo após uma nova fase de aplicação de leis antifumo.
De acordo com a publicação científica British Medical Journal, as tendências de queda não foram encontradas em períodos anteriores às proibições.
O estudo, feito pela Universidade Hasselt na Bélgica, acontece depois que uma pesquisa escocesa de 2012 encontrou um padrão semelhante.
No entanto, os especialistas escoceses não conseguiram determinar com certeza se a lei antifumo era a causa da mudança, porque os partos prematuros começaram a diminuir antes da proibição.
Já era conhecido o fato de que o hábito de fumo da mãe provoca redução de peso no bebê e aumenta o risco de nascimento prematuro.

Quedas sucessivas

No levantamento mais recente, os pesquisadores conseguiram analisar a taxa de partos prematuros após cada fase de uma lei antifumo implantada na Bélgica.
Lugares públicos e a maior parte dos locais de trabalho foram sujeitos às primeiras proibições em 2006, seguidos pelos restaurantes em 2007 e por bares que servem refeições em 2010.
Descobriu-se que a taxa de nascimentos prematuros caía a cada fase da proibição, com mais impacto após a aplicação em restaurantes e bares.
Depois das fases de 2007 e 2010, os partos prematuros caíram cerca de 3% em cada período.
No geral, isso corresponde a seis partos prematuros a menos em cada mil nascimentos.
As mudanças não puderam ser explicadas por outros fatores - como a idade e os status socioeconômico das mães ou efeitos populacionais como mudanças na poluição do ar ou epidemias de gripe.
O estudo também não encontrou ligações entre as leis antifumo e o peso dos bebês.
O pesquisador Tim Nawrot, que conduziu a pesquisa na Universidade de Hasselt, disse que até mesmo uma pequena redução do tempo de gravidez já havia sido relacionada em outros estudos a condições de saúde adversas na infância e na vida adulta.
"Porque as proibições aconteceram em três momentos diferentes, pudemos mostrar que há um padrão consistente de redução do risco de parto prematuro", disse.
"Isso dá suporte à ideia de que as leis antifumo trazem benefícios à saúde pública desde os primeiros momentos da vida."

fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/02/130215_cigarro_prematuro_cc.shtml











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